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Concha Negra encerra o ano com Cortejo Afro, Baiana System e Núcleo de Opera da Bahia

A senhora dançou. O moço cantou. O casal se beijou. Amigos se encontraram e o Cortejo Afro comandou a festa com a participação da banda Baiana System e do Núcleo de Opera da Bahia (NOB), durante a quarta edição do projeto Concha Negra, neste domingo (17), na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA). O espetáculo contou ainda com a abertura do grupo performático Bárbara Bela, Iana Nascimento e Diego Alcântara.

Presidente do Cortejo Afro, Alberto Pitta avalia que o Concha Negra faz parte de uma política de reparação. “De 2007 para cá houve realmente esse interesse maior por isso, por parte do Governo do Estado. O Concha Negra é um acerto, é uma percepção da importância que tem essa valorização não só para o Carnaval da Bahia, mas para a vida social, para o cotidiano da cidade. O que nós fazemos é definir uma estética baiana. Tudo começou nos anos 70 com Ilê Aiyê ou até antes. Isso é importante ser colocado”.

Pitta ressalta que no projeto se apresentam grupos que estão em cartaz há mais de 40 anos. “Como diz o João Jorge, do Olodum, mais de 40 anos em cartaz só o show da Broadway. E os blocos afro estão em cartaz há mais de 40 anos, como o Ilê Aiyê. A gente sabe que esse projeto se estenderá porque é vitorioso. O Cortejo Afro se sente feliz participando”.

Ele também fala da importância da casa de espetáculos. “A Concha Acústica sempre foi um espaço democrático, e a negrada sempre esteve presente na concha, não só como público pagante mas sobretudo no palco. E a Concha Acústica é um Palco sagrado, todo mundo quer fazer. E eu tenho notícia de que é um dos melhores lugares do Brasil para fazer show, muita gente que vem de fora fala isso. É um espaço único, nosso, baiano”.

O guitarrista da Baiana System, Beto Barreto, diz que o projeto concha Negra traduz a importância que os blocos afro tem para música de Salvador. “Todo mundo fala muito dessa importância mas os espaços não são muitos. Essa é uma festa que as pessoas podem vir, assistir como show, dançar. Então esse é um momento muito importante para música baiana olhar para essa raiz, para essa formação”.

Expectativa

Nos camarins, descontração e expectativa. Iveco Araújo se auto-intitula porta-estandarte e mensageiro do Cortejo Afro. “Hoje, na verdade, é uma grande celebração porque a gente fecha 2017. É o nosso último show do ano e também o último do Baiana System. Isso é tudo muito mágico porque a expectativa é dar o recado nesse momento atual do país. Nós somos os porta-vozes do povo brasileiro nesse momento. Eu chego a me emocionar só de falar isso.

Antes do show, a percussionista do Cortejo, Nani Santos, diz que, depois da reforma, é a primeira vez que ela se apresenta na Concha. “E com a grande estreia que é a mistura do Cortejo Afro com NOB e com a Baiana System, que ganhou um grande espaço e hoje é reconhecido no Brasil e mundialmente. Então, a expectativa é muito grande de que o povo possa apreciar essa mistura”.

Plateia

Na plateia, Claudia Matos, a rainha do Muzenza, disse que o projeto é muito importante para a música, “porque, além dos afros, reúne todas as cores, todas as culturas, todos os sons e todos os toques aqui na Concha. Hoje, nós estamos com Cortejo Afro, que é o mais novo dos blocos e que está fazendo essa junção com a orquestra e com a Baiana System. Um espetáculo maravilhoso de se assistir com toda a família, crianças, idosos, mais jovens, todos reunidos”.

Animada, a copeira Olivia Domingas já foi a outras edições do projeto e aprovou a iniciativa. “É um espaço bem gostoso, sou baiana e ouvir nossa música é bom demais”.

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